sábado, 9 de julho de 2011

A Verdade Vindo À Tona



A marcha rumo à cannabis como uma cura do câncer continua mais forte do que nunca.
Jasen T. Davis
Traduzido por Joel Albus.


À medida que a ciência médica continua a explorar as propriedades curativas da cannabis, as pesquisas indicam que a planta possui diversas propriedades que reduzem o risco de câncer nas pessoas que a utilizam. Alguns cientistas acreditam que a cannabis possa ser a cura definitiva do câncer.

A maioria dos fumantes de cannabis admite que, enquanto a cannabis é ótima para aliviar o que os aflige, ela certamente não pode ser boa para seus pulmões. Entretanto, experimentos realizados na Universidade da Califórnia (UCLA) sugerem que fumar cannabis pode, na verdade, prevenir o câncer de pulmão.

O Dr. Donald Tashkin, pneumologista da Universidade da Califórnia, vem estudando os efeitos do hábito de fumar maconha desde a década de 80. Agências, institutos e usinas de idéias dos EUA frequentemente fazem referência ao seu trabalho.

Ele realizou um estudo para determinar se havia um elo entre o câncer de pulmão e o hábito de fumar cannabis. Embora a fumaça da maconha contenha os mesmos elementos químicos cancerígenos do tabaco, o Dr. Tashkin descobriu que os componentes químicos da cannabis protegem o corpo humano contra o crescimento de tumores.

Enquanto os pacientes que fumavam tabaco tinham uma probabilidade 20 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão do que os não-fumantes, os fumantes de cannabis não apresentaram nenhum risco aumentado. Dr. Tashkin acredita que o THC, um dos componentes psicoativos da maconha, mata as células envelhecidas e doentes antes que os tumores possam se formar.

Em outro estudo científico, realizado na Espanha, pesquisadores das universidades Complutense e Autônoma de Madri dividiram 30 ratos com câncer no cérebro em dois grupos. Um dos grupos recebeu infusões de THC para tratar a doença.

O grupo não tratado morreu ao longo de duas semanas. Nove dos ratos tratados com THC viveram mais de um mês e três deles foram curados. Os cientistas acreditam que o THC causa a morte prematura das células cancerígenas, deixando as células sadias intactas.

Em outubro de 2003, a revista médica Nature Reviews publicou um artigo escrito pelo Dr. Manuel Guzman, pesquisador de tratamentos de câncer mundialmente famoso, que discutia detalhadamente os efeitos anti-tumorais dos canabinóides. Os canabinóides estão entre os principais compostos químicos encontrados na maconha.

O Dr. Guzman descobriu, após cuidadoso estudo, que os canabinóides atuam seletivamente sobre os tumores cancerígenos, destruindo-os e, ao mesmo tempo, evitando que as células saudáveis sejam danificadas.

Outro estudo, conduzido por cientistas do Centro Médico California Pacific de São Francisco, também descobriu que o THC, em muitos experimentos, destruía as células cancerosas do cérebro sem prejudicar as células sadias.

Os italianos também estão na marcha para curar o câncer com a cannabis. Em julho de 1998, uma pesquisa conduzida pela Academia Nacional de Ciências descobriu que os canabinóides previnem o crescimento de tumores nas células de pacientes afetadas pelo câncer de mama.

Durante os anos 90, o governo federal dos EUA utilizou 2 milhões de dólares advindos de impostos para conduzir uma pesquisa sobre câncer em ratos e camundongos. Realizada pelo Programa Nacional de Toxicologia dos EUA, a pesquisa determinou conclusivamente que o THC protege as células contra o câncer.

Ao chegar a esta conclusão, o governo federal dos EUA ocultou os resultados. O relatório vazou para a revista AIDS Treatment News e os resultados foram posteriormente publicados na mídia estadunidense, mas, apesar dos resultados positivos, o governo federal alega ainda ter que conduzir mais pesquisas.

À medida que os EUA se abrem para a legalização, muitas pessoas podem testemunhar os efeitos benéficos da cannabis no tratamento de seus sintomas. Com a continuidade das pesquisas, tais descobertas vêm dar suporte aos movimentos de legalização.

Fonte: http://freeculturemag.com/2011/07/news/cannabis-as-cancer-cure/

domingo, 30 de maio de 2010


Suetônio sempre me visitava quando voltava da cachoeira, bêbado de vinho ou cachaça. Adentrava a sala trôpego, a língua embolada mas doida para conversar. Às vezes vinha com fome, às vezes vinha chorando alguma mulher. Mas sempre vinha, bebia vinho, acabava se alegrando.

Já Soraio, que abandonara o vinho mas não abandonara as mulheres porque nunca realmente usufruíra os prazeres proporcionados pelo sexo feminino, chorava derrotas por W.O., mulheres que perdera sem nunca as haver conquistado!

Tanto Suetônio quanto Soraio pareciam se identificar com um sentimento sofrido que há nas relações amorosas (ou na ausência delas). Aquele descobriu-se amando somente quando sua parceira já o deixara. “É tarde, meu Jesus!!”. Este ama amar sozinho, fantasiar, jamais tocar e devanear, devanear...

Quando era bom-de-copo, Soraio visitava-me para embriagar-se ouvindo sua boa música e conversando. Falava muito. Ainda fala. Uma vez escutou uma mesma faixa de um cd de Zeca Baleiro mais de trinta vezes seguidas! Cantava quando bêbado. Aboiava, adorava um karaoke, um violão. Mulher bonita que tocasse violão e cantasse boa música brasileira enfeitiçava ele. Compunha-lhes poesias. Jamais tocou alguma dessas mulheres.

Suetônio, por sua vez, traçava todas as ninfetas, coroas, empregadas, garçonetes, filhinhas-da-mamãe, zarolhas e ninfomaníacas. Nesse turbilhão de vaginas e álcool, Suetônio deparou-se com uma garota que o fez sentir-se maravilhoso, mas ele não percebeu isso... O harém metamorfose-ambulante de Suetônio, por conta da tristeza que o abate, parou de girar, tal qual um carrossel sem crianças.

O vinho é o companheiro de Suetônio em sua busca por uma solidão que o console, curando sua ferida, mesmo deixando cicatriz.

A música ainda é companheira de Soraio. Soraio teima em não sair da solidão, em observar o mundo pelo pensamento de um corpo na clausura de um apartamento ou do olho-magno social, fruto da paranóia coletiva. Ele não se arrisca, não atravessa a rua de chinelos. É um bom homem, um tanto anacrônico em seus modos, “retrógrado” – Machadiano, diria o próprio Soraio, com muito para oferecer a uma mulher que tenha paciência com ele – um Imutável.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Supermarket Death


Hoje, na fila do supermercado, vi um frango assado num pacote plástico abandonado sobre uma gôndola. Não era mais o animal, não era mais comida. Era só mais um lixo, mais um produto descartado antes mesmo de ser comercializado. Um dia aquilo fora uma criatura viva, um par de olhos mirando um mundo avassalador. Que direito tem o ser humano de submeter as criaturas a esse nível de crueldade? A indústria alimentícia não só comercializa a morte dessas criaturas inocentes, mas - o que me parece pior - impede-as de viver segundo os ditames de suas próprias naturezas. E para quê? Para alimentar quem? Não sou contra a morte nem contra a violência, apenas creio que para tudo há um merecimento. Merecem as criaturas serem torturadas e devoradas em escala industrial? Como dizia Isaac Bashevis Singer: "quando se trata de animais, toda a humanidade é nazista". Se queres comer carne, tem pelo menos a dignidade de matar com tuas próprias mãos. Somos as bestas pensantes cujo pensamento só leva à destruição ou ainda estamos no jardim de infância da evolução?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Refúgios Químicos


Apoquentado com as ideias furadas que os amigos vinham lhe dando sobre seu problema, decidiu procurar ajuda com outras pessoas. O psiquiatra não ajudou muito, a mãe de santo foi gentil, mas também não lhe resolveu as indagas internas que tanto o afligiam. Sua mente parecia ter buracos por onde certos pensamentos escoavam e outros surgiam, como um ralo por onde desce a água da razão e sobem as baratas do delírio. Caminhava pelas ruas com a sensação de estranhamento de um animal da selva solto na cidade grande. Às vezes sentia que alguém lhe pularia sobre o pescoço, outras sentia que poderia arrancar os olhos das pessoas que o fitavam na multidão. Sentia medo de si mesmo e refugiava-se na observação das crianças. As crianças o acalmavam. Via-as brincar e sentia-se aliviado de um peso enferrujado, de uma casca fedorenta do mundo adulto que o contaminara e que ele refutava com mais contaminação. Era como nadar em um rio poluído e vomitar almoços de urubu ao mesmo tempo. Sentia-se sempre sujo, mas a visão da alegria das crianças fazia-o esquecer-se de seu próprio fedor. Sua inquietação o levava por toda a cidade, o forçava a uma interação assustada e imprevisível, uma esquizo-socialização onde as realidades pareciam não se encontrar. Apenas os corpos colidiam e os olhos revelavam sustos e apreensões. Os passos sempre se apressavam quando as pessoas o viam. Medo. Medo. Medo. Medo. Foi até a farmácia e comprou seu remédio. A prescrição amarrotada, tantas vezes usada. Aquele remédio, seqüelas dos tempos do psiquiatra. Nunca conseguira deixar as pílulas. A mãe de santo lhe dera um colar de contas. Perdera-o e sempre tinha sonhos com esse colar, com seres estranhos vindo até ele com o colar, para finalmente leva-lo para o reino da morte. Bizarro! As pessoas que o ajudaram haviam contribuído para a multiplicidade de signos de sua loucura.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Lá na Bahia as tardes eram mágicas

O vento é o sussurro do tempo
A luz é o deleite do universo
O olho é o gozo do efêmero...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Oficina Brennand

O silêncio das culturas mortas
Nenhum vento sopra seus murmúrios
Nenhuma árvore range seus estertores
A moeda dos conquistadores
É a única face
Sangue antigo tragado pela terra
Saberes ancestrais cremados...

sábado, 28 de novembro de 2009